Pessoas sonham por liberdade, mas aprisionam pássaros. Pessoas sonham por igualdade, mas alimentam diferenças. Pessoas sonham por pacificidade, mas criam guerras. Só sonhar não adianta nada se não temos ação. Entramos em contradição. Deus nos deu o dom do pensamento. Pratique o bem para evitar o sofrimento. Faça a mudança do nosso mundo, começando a mudar seu interior. Encontre seus defeitos para corrigi-los. Seja maduro corrigindo seus erros; a maturidade se alcança com humildade. Você precisa domar seu egoísmo. No jardim da mente plante a bondade; deseje o bem para ser abençoado, e do céu cairá frutos da felicidade. A luz que cura está na consciência. Se você pode refletir será capaz de mudar; pensar em mudar é o primeiro passo. A mudança não acontecerá em um só dia, a mudança não dependerá de uma só pessoa; precisamos de todos os dias e todas as pessoas. Se imortalizar é ter filhos faça um mundo melhor para eles. Com amor ensine as crianças que somos todos iguais e com fins diferentes. Todos seres têm sua finalidade; sempre respeite a todos para todos vivermos em harmonia Em algum lugar não distante alguém precisa da sua mão. Você pode salvar vidas. O milagre está no seu coração; mantenha acesa a vela da esperança. Com fé faça essa mudança. Nosso mundo está chorando para enxugar suas lágrimas. Precisamos do dedo da mudança.
Ruilendis
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Música
Nesta vida existem muitas coisas especiais. Uma delas é a música. A música deveria fazer parte de todos os momentos do nosso dia a dia. Ela tem dom de encantar nossos sonhos, de abrir portas para a imaginação e de fazer com que a nossa vida fique bem mais doce e harmoniosa.
Tudo isto ocorre pois a música é uma obra celestial, porém interpretada pelos seres humanos. O cosmo envia e nós aqui na Terra traduzimos.
Se todos nós compreendêssemos a grande virtude que a música opera em nossas mentes, daríamos mais espaço para a compreensão entre os povos e com isto, teríamos um mundo bem melhor.
Assim, enriqueça o mundo com muitas músicas ao vento, falando da vida, da felicidade, do amor e da paixão de viver. Lembre-se a vida é uma grande festa. E uma grande festa só começa com uma boa música.
Tudo isto ocorre pois a música é uma obra celestial, porém interpretada pelos seres humanos. O cosmo envia e nós aqui na Terra traduzimos.
Se todos nós compreendêssemos a grande virtude que a música opera em nossas mentes, daríamos mais espaço para a compreensão entre os povos e com isto, teríamos um mundo bem melhor.
Assim, enriqueça o mundo com muitas músicas ao vento, falando da vida, da felicidade, do amor e da paixão de viver. Lembre-se a vida é uma grande festa. E uma grande festa só começa com uma boa música.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Atraso
Em Londres um pub está fazendo sucesso porque instalou para seus clientes uma cabine telefônica com uma sonorização peculiar: enquanto a pessoa fala ao telefone, pode acessar o som de um congestionamento, com muito buzinaço. Ou pode acessar o som de um ambiente de escritório. Toda essa parafernália é para que quem esteja do outro lado da linha não identifique o som do bar.
Assim, o "bebum" pode dar uma desculpa esfarrapada e chegar em casa sem levar broncas, afinal, trabalhou até tarde, o coitado, e ainda por cima ficou preso num engarrafamento. Essa cabine telefônica com efeitos especiais só vem demonstrar que os bares andam muito moderninhos, mas os casamentos continuam parados no tempo, mesmo na vanguardista Inglaterra. "Só vou se você for" segue na moda. Enquanto isso a hipocrisia deita e rola.
Muitas pessoas ainda têm uma idéia convencional do casamento: encaminham-se para o altar como quem se encaminha para o supermercado em busca de um produto pronto, industrializado, com um rótulo que fornece instruções sobre sua utilidade, e parece que a primeira instrução é: nenhum dos dois têm o direito de se divertir sozinho ou com os amigos, a menos que o cônjuge esteja junto.
Não é de estranhar que os prazos de validade do amor andem cada vez mais curtos. Não há paixão que resista ao grude. Não há paciência que resista à patrulha. Não há grande amor que prescinda de outras amizades. Sair sozinho para beber com os amigos deveria ser um dos dez mandamentos para uma união estável, valendo para ambos os sexos.
Quem não gosta de bar pode substituir por futebol, cinema, shows, sinuca, saraus ou o que os suplementos culturais sugerirem. E não perca tempo lamentando por aquele que vai ficar em casa. Provavelmente ele vai se divertir: ouvir música, ver televisão, ler livros, abrir um vinho, tomar um banho de duas horas, navegar na internet, dormir cedinho, tudo isso também é um programaço.
Quem não sabe ficar sozinho não pode casar, sob pena de transformar o matrimônio num presídio para dois. Tem muita coisa em Londres que eu gostaria de ter aqui: parques mais bem cuidados, mais livrarias, mais respeito à individualidade, melhor transporte público, prédios mais charmosos. Só dispensaria o clima e esse pub pra lá de vitoriano, onde pessoas adultas são incentivadas a inventar um álibi para justificar um atraso.
Atraso é ter que mentir para que o outro não perceba que você está feliz.
Assim, o "bebum" pode dar uma desculpa esfarrapada e chegar em casa sem levar broncas, afinal, trabalhou até tarde, o coitado, e ainda por cima ficou preso num engarrafamento. Essa cabine telefônica com efeitos especiais só vem demonstrar que os bares andam muito moderninhos, mas os casamentos continuam parados no tempo, mesmo na vanguardista Inglaterra. "Só vou se você for" segue na moda. Enquanto isso a hipocrisia deita e rola.
Muitas pessoas ainda têm uma idéia convencional do casamento: encaminham-se para o altar como quem se encaminha para o supermercado em busca de um produto pronto, industrializado, com um rótulo que fornece instruções sobre sua utilidade, e parece que a primeira instrução é: nenhum dos dois têm o direito de se divertir sozinho ou com os amigos, a menos que o cônjuge esteja junto.
Não é de estranhar que os prazos de validade do amor andem cada vez mais curtos. Não há paixão que resista ao grude. Não há paciência que resista à patrulha. Não há grande amor que prescinda de outras amizades. Sair sozinho para beber com os amigos deveria ser um dos dez mandamentos para uma união estável, valendo para ambos os sexos.
Quem não gosta de bar pode substituir por futebol, cinema, shows, sinuca, saraus ou o que os suplementos culturais sugerirem. E não perca tempo lamentando por aquele que vai ficar em casa. Provavelmente ele vai se divertir: ouvir música, ver televisão, ler livros, abrir um vinho, tomar um banho de duas horas, navegar na internet, dormir cedinho, tudo isso também é um programaço.
Quem não sabe ficar sozinho não pode casar, sob pena de transformar o matrimônio num presídio para dois. Tem muita coisa em Londres que eu gostaria de ter aqui: parques mais bem cuidados, mais livrarias, mais respeito à individualidade, melhor transporte público, prédios mais charmosos. Só dispensaria o clima e esse pub pra lá de vitoriano, onde pessoas adultas são incentivadas a inventar um álibi para justificar um atraso.
Atraso é ter que mentir para que o outro não perceba que você está feliz.
Amar
Amar as minhas limitações, como amo as minhas possibilidades e nos meus acertos e erros amar o meu projeto que vai se transformando em obra no trabalho da construção de mim mesma.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Seria tão diferente
Seria tão diferente... se os sonhos de que a gente gosta não terminassem tão de repente.
.. se os bons momentos da vida durassem eternamente.
.. se as pessoas de quem a gente gosta gostassem um pouco da gente.
.. se, quando a gente chorasse, fosse só de contente.
.. se as pessoas que a gente ama sentissem o que a gente sente.
Mas é tudo tão diferente...
Os sonhos de que a gente gosta terminam tão de repente...
Os bons momentos da vida não duram eternamente.
As pessoas de quem a gente gosta nem sempre gostam da gente.
Das vezes que a gente chora, poucas vezes são de contente.
E as pessoas que a gente ama não sentem o mesmo que a gente...
Mas poderia ser tão diferente...
Dê-se uma chance de ser diferente.
Tente, ouse, opte pela felicidade, e aí será diferente!!!
"Feliz é aquele que acredita em seus sonhos, pois só assim poderá realizar seus vôos plenamente..."
.. se os bons momentos da vida durassem eternamente.
.. se as pessoas de quem a gente gosta gostassem um pouco da gente.
.. se, quando a gente chorasse, fosse só de contente.
.. se as pessoas que a gente ama sentissem o que a gente sente.
Mas é tudo tão diferente...
Os sonhos de que a gente gosta terminam tão de repente...
Os bons momentos da vida não duram eternamente.
As pessoas de quem a gente gosta nem sempre gostam da gente.
Das vezes que a gente chora, poucas vezes são de contente.
E as pessoas que a gente ama não sentem o mesmo que a gente...
Mas poderia ser tão diferente...
Dê-se uma chance de ser diferente.
Tente, ouse, opte pela felicidade, e aí será diferente!!!
"Feliz é aquele que acredita em seus sonhos, pois só assim poderá realizar seus vôos plenamente..."
Coragem
Toda oportunidade é ideal para quem não tem medo de encarar a vida de frente.
Faça experiências, aprenda com seus erros e teste a sua capacidade de ser uma pessoa diferente. Dê ênfase à sua originalidade.
Procure enxergar além do imediato e você poderá ver o seu futuro.
A coragem cresce com a ocasião!
Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência de medo!
Só se pode chamar forte e vencedor o homem que recusa o auxílio externo!
Tenha coragem de se equivocar!
Tudo é perigoso. Se assim não fosse, não valeria a pena viver!
Faça experiências, aprenda com seus erros e teste a sua capacidade de ser uma pessoa diferente. Dê ênfase à sua originalidade.
Procure enxergar além do imediato e você poderá ver o seu futuro.
A coragem cresce com a ocasião!
Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência de medo!
Só se pode chamar forte e vencedor o homem que recusa o auxílio externo!
Tenha coragem de se equivocar!
Tudo é perigoso. Se assim não fosse, não valeria a pena viver!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O All-in de nossas vidas(ou sobre exigências e intolerâncias)
A expectativa excessiva produz intolerância. Com isso, negociar e procurar os compromissos sempre necessários numa vida de casal (e, em geral, numa família) parecem constituir uma traição de nossos sonhos de união perfeita. Nós nos divorciamos por esperar demais do casamento.”
Podemos imaginar um tipo de amor incondicional, etéreo, transcendente, divino, imaculado, mas não é bem isso que encontramos em nosso corpo e em nossa mente.Conosco, em falatório interno, fazemos uma outra lista: a de nossas exigências e expectativas. Se estamos juntos a alguém, não é porque estamos compartilhando vidas, caso contrário nenhuma separação seria traumática, mas porque estamos recebendo algo que exigimos. Para muitos, o casamento é nossa maior aposta na felicidade, o grande All-in de nossas vidas. Ao olharmos para nosso parceiro, no fundo, pensamos: “Se existe felicidade, o caminho é por ali!”. Assim que tal processo começa a falhar, as expectativas gritam: “Eu não estou sendo tão feliz quanto eu esperava!”. Nossa dor é do tamanho de nossa aposta romântica. O problema é que o prazer também, então apostamos alto…Assim, em um mundo cheio de possibilidades, se estamos com uma mulher que não faz sexo anal, por que não trocá-la por outra que adora ser penetrada de tudo quanto é jeito? Se estamos com um homem que não sabe nenhum passo de tango, é hora de considerar substitui-lo por um tangueiro charmoso. Se não tivéssemos apostado todas as nossas cartas no outro, não haveria problema algum em conviver com suas imperfeições. Só que ele recebeu muito para nos entregar apenas isso! Depois da aposta, só ficaremos satisfeitos quando levarmos o grande prêmio, o pacote completo da felicidade.
Mimados e frescos, não comemos rúcula porque não gostamos, assim como queremos acabar a relação assim que alguns problemas começam a surgir. Não queremos dor e sofrimento, não queremos abandonar nosso conforto para lidar com as necessidades do parceiro. Queremos fazer apenas aquilo que gostamos, não o que é preciso. Junto com as noites de sexo, existem as noites de cólicas, febre ou simplesmente tédio. Você quer tocar e envolver somente uma parte do outro?Tais questões talvez sejam bobas aos olhos de alguns homens de outras épocas, que provavelmente responderiam: “É claro que você tem de cuidar dela! Ela é sua mulher!” – o mesmo vale para as mulheres, claro. No entanto, atualmente é difícil se opor ao seguinte argumento: “Estou infeliz com ele, não preciso passar por isso”. Como perdemos as bases heterônimas que nos faziam manter a relação (Igreja, Estado e o olhar social como um todo), ainda não sabemos como sustentar as relações de modo autônomo, afinal nossa autonomia é também essa voz que não pára de falar “Ei, você pode ser feliz com outro homem!”.“Se a paixão é impermanente e o amor incondicional uma quimera destinada a seres iluminados, qual seria uma boa base para o casamento?”.Tal pergunta se funda na crença de que paixão e amor são coisas diferentes .Sejamos sinceros: nas relações que vivemos, nos precipitamos em chamar de amor apenas uma paixão que durou um pouco mais e adentrou nossa vida a ponto de exigir mais de nós. O funcionamento desse amor é o mesmo que o de uma paixão, tanto que é raro acontecer uma separação tranquila ao fim de uma relação longa. Ora, se temos amor incondicional, por que ficaríamos mal quando alguém nos deixasse para ser mais feliz com outra pessoa?Dentro de nossos pulmões, veias e corações, o amor incondicional perde para a paixão. Um é conceito abstrato (bonito, espiritual, mas abstrato) enquanto o outro é vivo, pulsa, nos enche de ar e brilho nos olhos. Só vamos poder falar em “amor incondicional” quando isso for nosso oxigênio, motivo de acordar e sorrir pela manhã. Enquanto isso não acontece, é melhor trabalhar com o que temos nítido diante dos olhos: a paixão.É ingenuidade afirmar um amor incondicional e achar que nossas relações amorosas chegam nesse nível depois de passar no teste do tempo e superar as turbulências passionais. Nada mais equivocado! Quando não mais estamos apaixonados, dizemos: “Eu não o amo mais”. E então alguém diz: “Se acabou, é porque não era amor”. Mas isso apenas altera nossa frase: “Então eu nunca o amei”. Podemos alegar visões elevadas, mas quando nosso peito está em jogo, o amor é, sim, sentimento condicionado, paixão camuflada.Ao esconder a paixão sob o rótulo de amor, algo acontece: perdemos o amor. Deixamos de aproveitar a chance de construir uma relação de amor autêntico logo no início.
Contardo Calligaris
Podemos imaginar um tipo de amor incondicional, etéreo, transcendente, divino, imaculado, mas não é bem isso que encontramos em nosso corpo e em nossa mente.Conosco, em falatório interno, fazemos uma outra lista: a de nossas exigências e expectativas. Se estamos juntos a alguém, não é porque estamos compartilhando vidas, caso contrário nenhuma separação seria traumática, mas porque estamos recebendo algo que exigimos. Para muitos, o casamento é nossa maior aposta na felicidade, o grande All-in de nossas vidas. Ao olharmos para nosso parceiro, no fundo, pensamos: “Se existe felicidade, o caminho é por ali!”. Assim que tal processo começa a falhar, as expectativas gritam: “Eu não estou sendo tão feliz quanto eu esperava!”. Nossa dor é do tamanho de nossa aposta romântica. O problema é que o prazer também, então apostamos alto…Assim, em um mundo cheio de possibilidades, se estamos com uma mulher que não faz sexo anal, por que não trocá-la por outra que adora ser penetrada de tudo quanto é jeito? Se estamos com um homem que não sabe nenhum passo de tango, é hora de considerar substitui-lo por um tangueiro charmoso. Se não tivéssemos apostado todas as nossas cartas no outro, não haveria problema algum em conviver com suas imperfeições. Só que ele recebeu muito para nos entregar apenas isso! Depois da aposta, só ficaremos satisfeitos quando levarmos o grande prêmio, o pacote completo da felicidade.
Mimados e frescos, não comemos rúcula porque não gostamos, assim como queremos acabar a relação assim que alguns problemas começam a surgir. Não queremos dor e sofrimento, não queremos abandonar nosso conforto para lidar com as necessidades do parceiro. Queremos fazer apenas aquilo que gostamos, não o que é preciso. Junto com as noites de sexo, existem as noites de cólicas, febre ou simplesmente tédio. Você quer tocar e envolver somente uma parte do outro?Tais questões talvez sejam bobas aos olhos de alguns homens de outras épocas, que provavelmente responderiam: “É claro que você tem de cuidar dela! Ela é sua mulher!” – o mesmo vale para as mulheres, claro. No entanto, atualmente é difícil se opor ao seguinte argumento: “Estou infeliz com ele, não preciso passar por isso”. Como perdemos as bases heterônimas que nos faziam manter a relação (Igreja, Estado e o olhar social como um todo), ainda não sabemos como sustentar as relações de modo autônomo, afinal nossa autonomia é também essa voz que não pára de falar “Ei, você pode ser feliz com outro homem!”.“Se a paixão é impermanente e o amor incondicional uma quimera destinada a seres iluminados, qual seria uma boa base para o casamento?”.Tal pergunta se funda na crença de que paixão e amor são coisas diferentes .Sejamos sinceros: nas relações que vivemos, nos precipitamos em chamar de amor apenas uma paixão que durou um pouco mais e adentrou nossa vida a ponto de exigir mais de nós. O funcionamento desse amor é o mesmo que o de uma paixão, tanto que é raro acontecer uma separação tranquila ao fim de uma relação longa. Ora, se temos amor incondicional, por que ficaríamos mal quando alguém nos deixasse para ser mais feliz com outra pessoa?Dentro de nossos pulmões, veias e corações, o amor incondicional perde para a paixão. Um é conceito abstrato (bonito, espiritual, mas abstrato) enquanto o outro é vivo, pulsa, nos enche de ar e brilho nos olhos. Só vamos poder falar em “amor incondicional” quando isso for nosso oxigênio, motivo de acordar e sorrir pela manhã. Enquanto isso não acontece, é melhor trabalhar com o que temos nítido diante dos olhos: a paixão.É ingenuidade afirmar um amor incondicional e achar que nossas relações amorosas chegam nesse nível depois de passar no teste do tempo e superar as turbulências passionais. Nada mais equivocado! Quando não mais estamos apaixonados, dizemos: “Eu não o amo mais”. E então alguém diz: “Se acabou, é porque não era amor”. Mas isso apenas altera nossa frase: “Então eu nunca o amei”. Podemos alegar visões elevadas, mas quando nosso peito está em jogo, o amor é, sim, sentimento condicionado, paixão camuflada.Ao esconder a paixão sob o rótulo de amor, algo acontece: perdemos o amor. Deixamos de aproveitar a chance de construir uma relação de amor autêntico logo no início.
Contardo Calligaris
O amor como sentimento
“Na mesma época em que as crianças se tornaram representantes de nossa vida além da morte, começamos a organizar nossa sociedade pelos sentimentos. Não só nos casamos por amor, mas até nossos laços de sangue pouco valem sem os afetos. Passamos de um mundo em que havia laços com ou sem sentimentos (tanto fazia) a um mundo em que os sentimentos são condição dos laços.” Nós queremos ser chacoalhados. Filmes, músicas, drogas, álcool, chocolates, viagens, sapatos, amores… Somos felizes quando somos movidos por algo. Toda paixão – como já sugere a raiz grega, páthos – é uma forma de passividade. Nós sofremos paixão, padecemos, nos assujeitamos. Caímos arrebatados, atropelados. We fall in love: a paixão é algo que nos acontece.Primeiro, a confissão “Estou apaixonado por ele!”, que significa “Ele faz coisas comigo, ele me deixa viva, linda e feliz”. Depois, “Eu te adoro”, nada diferente de pedir que o outro continue nos movendo, seguido pelo clássico “Eu te amo”, ou seja, “É por você que quero ser amada”. E enfim o pedido de casamento, cujo discurso gira em torno de “Eu nunca fui tão feliz como nos últimos anos, por isso quero passar o resto da minha vida com você” (assista aos dois primeiros pedidos: os caras não falam da vida delas, mas de sua própria felicidade). Em nosso autocentramento, o “Eu” de tais frases não é ator algum. É sujeito.Se casamos por um amor desses, assim que o outro pára de nos mover, de injetar felicidade em nós, de causar tesão, nossa passividade se revela pura estagnação (pois afinal nunca nos movemos de fato, é sempre o outro que nos puxa de lá para cá). Quando ele pára de nos mover, paramos de amar. Trocamos então o “Eu te amo” por “Eu quero me separar”. O motivo? O outro nos fazia feliz, agora não mais. Razão suficiente para terminar uma relação, não é mesmo?Se fosse apenas com as relações amorosas… O sentimento é considerado critério de veracidade, referencial ético, fundamento inquestionável para qualquer ação. Ele saiu do trabalho porque não estava se sentindo bem lá. Ela fuma porque gosta do que o cigarro a faz sentir. Ele quase não visita sua família porque se sente desconfortável entre tios e primos, gente chata e sem graça. E, claro, ela terminou o casamento porque o amor acabou. Os sentimentos são nosso refúgio e nossa certeza. Nossa intuição mais profunda: “Se eu sinto assim, então só pode ser verdade!”.Tomando os sentimentos e as sensações como referencial, procuramos por tudo aquilo que nos faz sentir bem e nos afastamos das situações e seres que não nos trazem prazer. Com isso, nos tornamos mimados: “Rúcula eu não como porque não gosto”. A nova geração de homens “frescos” que não comem alguns legumes e verduras é impressionante! Esses dias conheci um cara que não come mamão. Pode isso? (Toda mulher deveria desconfiar do desempenho sexual de um homem que não come de tudo).Por sermos mimados, acabamos por formar crianças mimadas.Na sociedade atual, o projeto de ser feliz é mais importante do que qualquer obrigação –Como sabemos que nos indispomos ao menor desconforto (e que o outro funciona do mesmo modo), evitamos ao máximo causar atritos no sentimento que elegemos como base da relação. Sob o risco do amor do outro acabar, temendo sermos abandonados como um brinquedo antigo jogado no fundo do armário, também mimamos nossos maridos e esposas. Tentamos não confrontar suas negatividades para que eles nunca deixem de se sentir amados. Ao mesmo tempo, nós também queremos nos sentir amados, então mimamos para sermos mimados – eis nosso pacto de mediocridade.“Os laços construídos ao redor do amor são dos mais precários; os casamentos por amor duram menos, ao que parece, do que os contratos do passado. E, quando duram, podem doer mais (tipo: nossa vida é um inferno, a gente não se entende, mas ficamos juntos porque nos amamos).”
Como sentimento, o amor é inseparável da paixão que o fez nascer. É a lembrança dessa vinculação que, depois de anos de relacionamento, nos preocupa lá pelo quarto mês de paixão ausente: “Ele não me procura mais”, “Ela parece que não gosta mais de mim”. Se não há paixão, parece não restar mais amor, então outros sentimentos e emoções tomam conta do casal (já que o sentimento é sua fundação), muitas vezes o fazendo ruir de dentro para fora. Sem amor, qual o sentido de ficar junto?
Nosso mimo hedonista quase não é um problema comparado ao sofrimento gerado pela impermanência, pelas oscilações dos sentimentos. Funciona assim: um sentimento surge, dita o que é verdade para mim, dá sentido a todo o meu momento e me impulsiona para uma ação, então me movo em uma direção, até que o sentimento cessa (e com ele a verdade, o sentido e a ação) e me sinto perdido, confuso e impotente, sem entender como fui parar em um local desconfortável sendo que estava andando em direção a um horizonte de felicidade.
Contardo Calligaris
Como sentimento, o amor é inseparável da paixão que o fez nascer. É a lembrança dessa vinculação que, depois de anos de relacionamento, nos preocupa lá pelo quarto mês de paixão ausente: “Ele não me procura mais”, “Ela parece que não gosta mais de mim”. Se não há paixão, parece não restar mais amor, então outros sentimentos e emoções tomam conta do casal (já que o sentimento é sua fundação), muitas vezes o fazendo ruir de dentro para fora. Sem amor, qual o sentido de ficar junto?
Nosso mimo hedonista quase não é um problema comparado ao sofrimento gerado pela impermanência, pelas oscilações dos sentimentos. Funciona assim: um sentimento surge, dita o que é verdade para mim, dá sentido a todo o meu momento e me impulsiona para uma ação, então me movo em uma direção, até que o sentimento cessa (e com ele a verdade, o sentido e a ação) e me sinto perdido, confuso e impotente, sem entender como fui parar em um local desconfortável sendo que estava andando em direção a um horizonte de felicidade.
Contardo Calligaris
Voce tem Certeza?
Já aconteceu de você ter perdido alguma coisa e, finalmente, achá-la exatamente no lugar em que você tinha certeza absoluta que ela não ia estar ? Que outras coisas na sua vida você pode não estar rotineiramente enxergando, porque tem certeza que não estão lá ? Quantas idéias criativas nunca apareceram porque você já tem certeza do que funciona e do que não ?
Será que a certeza está limitando você ? Será que sua certeza é realmente certeza ? Ou simplesmente falta de vontade de explorar novas opções ? Existem momentos em que devemos agir e pensar com certeza e determinação, mas muitas vezes o que julgamos ser certeza é pura teimosia. Suas certezas resultam, na maioria da vezes, de suas experiências. Mas leve sempre em conta que existe um universo de oportunidades além dessas experiências.
Sim, é mais fácil rejeitar novas idéias sem considerá-las ou explorá-las. Agora, se você já sabe tudo, como é possivel aprender ? É ótimo ter certeza e confiança. Só não deixe a certeza cegá-lo para o real potencial das suas possibilidades.
Será que a certeza está limitando você ? Será que sua certeza é realmente certeza ? Ou simplesmente falta de vontade de explorar novas opções ? Existem momentos em que devemos agir e pensar com certeza e determinação, mas muitas vezes o que julgamos ser certeza é pura teimosia. Suas certezas resultam, na maioria da vezes, de suas experiências. Mas leve sempre em conta que existe um universo de oportunidades além dessas experiências.
Sim, é mais fácil rejeitar novas idéias sem considerá-las ou explorá-las. Agora, se você já sabe tudo, como é possivel aprender ? É ótimo ter certeza e confiança. Só não deixe a certeza cegá-lo para o real potencial das suas possibilidades.
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