Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
CORRIGINDO 20 VELHOS DITADOS
01- "É dando que se ... engravida".
02- "Quem ri por último... é retardado".
03- "Alegria de pobre... é impossível".
04- "Quem com ferro fere... não sabe como dói".
05- "Em casa de ferreiro... só tem ferro".
06- "Quem tem boca.... fala. Quem tem grana é que vai a Roma!"
07- "Gato escaldado... morre, porra!"
08- "Quem espera.... fica de saco cheio."
09- "Quando um não quer... o outro insiste."
10- "Os últimos serão .... os desclassificados."
11- "Há males que vêm para ... fuder com tudo mesmo!" (essa é ótima!!!)
12- "Se Maomé não vai à montanha... é porque ele se mandou pra praia."
13- "A esperança.... e a sogra são as últimas que morrem."
14- "Quem dá aos pobres... cria o filho sozinha."
15- "Depois da tempestade vem a .... gripe."
16- "Devagar.... nunca se chega."
17- "Antes tarde do que ... mais tarde."
18- "Em terra de cego quem tem um olho é ... caolho.."
19- "Quem cedo madruga... fica com sono o dia inteiro."
20- "Pau que nasce torto... urina no chão."
02- "Quem ri por último... é retardado".
03- "Alegria de pobre... é impossível".
04- "Quem com ferro fere... não sabe como dói".
05- "Em casa de ferreiro... só tem ferro".
06- "Quem tem boca.... fala. Quem tem grana é que vai a Roma!"
07- "Gato escaldado... morre, porra!"
08- "Quem espera.... fica de saco cheio."
09- "Quando um não quer... o outro insiste."
10- "Os últimos serão .... os desclassificados."
11- "Há males que vêm para ... fuder com tudo mesmo!" (essa é ótima!!!)
12- "Se Maomé não vai à montanha... é porque ele se mandou pra praia."
13- "A esperança.... e a sogra são as últimas que morrem."
14- "Quem dá aos pobres... cria o filho sozinha."
15- "Depois da tempestade vem a .... gripe."
16- "Devagar.... nunca se chega."
17- "Antes tarde do que ... mais tarde."
18- "Em terra de cego quem tem um olho é ... caolho.."
19- "Quem cedo madruga... fica com sono o dia inteiro."
20- "Pau que nasce torto... urina no chão."
Qanto tempo dura uma paixão?
Êxtase, euforia, apreensão, dias inquietos, noites insones... É raro encontrar alguém que não saiba o que é uma paixão. O envolvimento é tão forte e invasivo, que pode levar a pessoa a ignorar suas obrigações cotidianas, além de induzi-la a fazer sacrifícios e a tomar decisões radicais. Por essa razão, e por ter no ardor sexual um forte componente, ela sempre foi considerada perigosa do ponto de vista da ordem e do dever social.
Na maior parte das culturas nunca se aceitou que o casamento fosse conseqüência de um amor apaixonado, embora o amor fatal seja o mais antigo dos temas nos versos e lendas. O francês Denis de Rougemont, grande estudioso do amor no Ocidente, afirma que raramente os poetas cantam o amor feliz, harmonioso e tranqüilo. E que o romance passa a existir unicamente onde o amor é fatal, proscrito, condenado... e não como a satisfação do amor. As provas, os obstáculos, as proibições, são as condições da paixão. Afinal, paixão significa sofrimento. Por que, então, as pessoas a valorizam?
O desejo e o sofrimento fazem com que todos se sintam vivos, proporcionando um frisson, e muitas surpresas. Necessita-se do outro, não como ele é no real, mas como instrumento que torna possível viver uma paixão ardente. Somos envolvidos por um sentimento tão intenso que por ele ansiamos, apesar de nos fazer sofrer. Os apaixonados não precisam da presença do outro, mas da sua ausência. Contudo, a maioria reconhece que a paixão acaba logo. Se é assim, por que nos apaixonamos e quanto tempo, afinal, dura uma paixão?
Prazo de validade
Vários estudos já mostraram que esse violento distúrbio emocional é desencadeado por algo físico que acontece no cérebro. Talvez aí se explique por que as pessoas apaixonadas são capazes de ficar acordadas a noite inteira, conversando ou fazendo sexo. Mas existem alguns pré-requisitos: certo distanciamento e mistério são essenciais para a paixão; em geral, as pessoas não se apaixonam por alguém que conhecem bem.
Segundo uma pesquisa sobre a natureza do amor e da paixão, feita recentemente nos Estados Unidos, em que foram entrevistadas 5 mil pessoas em 37 culturas, há uma série de evidências de que essa exaltação seja criada por um coquetel de substâncias químicas cerebrais e deflagrada pelo condicionamento cultural. Os pesquisadores observaram que esse tipo de emoção não dura mais que dois anos e meio, quando a pessoa começa a voltar a um estado mental relaxado. Em meados da década de 60 a psicóloga americana Doroty Tennov já havia chegado à conclusão de que a duração média de uma paixão é de 18 meses a três anos. Suspeita-se que seu término também se deva à fisiologia cerebral; o cérebro não suportaria manter eternamente essa excitação.
Mesmo durando pouco, a paixão sempre foi sentida como uma doença da alma que, além de limitar a liberdade individual, pode levar ao assassinato ou ao suicídio. Mas a paixão está em via de extinção. As mentalidades estão mudando e a situação hoje é outra.
A filósofa francesa Elizabeth Badinter acredita que agora homens e mulheres sonham com outra coisa diferente dos dilaceramentos. Se as promessas de sofrimento devem vencer os prazeres, preferimos nos desligar. Além disso, a permissividade tirou da paixão seu motor mais poderoso: a proibição. "Ao admitir que o coração não está mais fora da lei, mas acima dela, pregou-se uma peça no desejo", diz ela.
Então, mesmo que ainda quiséssemos, não poderíamos mais. As condições da paixão não estão mais reunidas, tanto do ponto de vista social quanto psicológico.
Por Regina Navarro Lins
Na maior parte das culturas nunca se aceitou que o casamento fosse conseqüência de um amor apaixonado, embora o amor fatal seja o mais antigo dos temas nos versos e lendas. O francês Denis de Rougemont, grande estudioso do amor no Ocidente, afirma que raramente os poetas cantam o amor feliz, harmonioso e tranqüilo. E que o romance passa a existir unicamente onde o amor é fatal, proscrito, condenado... e não como a satisfação do amor. As provas, os obstáculos, as proibições, são as condições da paixão. Afinal, paixão significa sofrimento. Por que, então, as pessoas a valorizam?
O desejo e o sofrimento fazem com que todos se sintam vivos, proporcionando um frisson, e muitas surpresas. Necessita-se do outro, não como ele é no real, mas como instrumento que torna possível viver uma paixão ardente. Somos envolvidos por um sentimento tão intenso que por ele ansiamos, apesar de nos fazer sofrer. Os apaixonados não precisam da presença do outro, mas da sua ausência. Contudo, a maioria reconhece que a paixão acaba logo. Se é assim, por que nos apaixonamos e quanto tempo, afinal, dura uma paixão?
Prazo de validade
Vários estudos já mostraram que esse violento distúrbio emocional é desencadeado por algo físico que acontece no cérebro. Talvez aí se explique por que as pessoas apaixonadas são capazes de ficar acordadas a noite inteira, conversando ou fazendo sexo. Mas existem alguns pré-requisitos: certo distanciamento e mistério são essenciais para a paixão; em geral, as pessoas não se apaixonam por alguém que conhecem bem.
Segundo uma pesquisa sobre a natureza do amor e da paixão, feita recentemente nos Estados Unidos, em que foram entrevistadas 5 mil pessoas em 37 culturas, há uma série de evidências de que essa exaltação seja criada por um coquetel de substâncias químicas cerebrais e deflagrada pelo condicionamento cultural. Os pesquisadores observaram que esse tipo de emoção não dura mais que dois anos e meio, quando a pessoa começa a voltar a um estado mental relaxado. Em meados da década de 60 a psicóloga americana Doroty Tennov já havia chegado à conclusão de que a duração média de uma paixão é de 18 meses a três anos. Suspeita-se que seu término também se deva à fisiologia cerebral; o cérebro não suportaria manter eternamente essa excitação.
Mesmo durando pouco, a paixão sempre foi sentida como uma doença da alma que, além de limitar a liberdade individual, pode levar ao assassinato ou ao suicídio. Mas a paixão está em via de extinção. As mentalidades estão mudando e a situação hoje é outra.
A filósofa francesa Elizabeth Badinter acredita que agora homens e mulheres sonham com outra coisa diferente dos dilaceramentos. Se as promessas de sofrimento devem vencer os prazeres, preferimos nos desligar. Além disso, a permissividade tirou da paixão seu motor mais poderoso: a proibição. "Ao admitir que o coração não está mais fora da lei, mas acima dela, pregou-se uma peça no desejo", diz ela.
Então, mesmo que ainda quiséssemos, não poderíamos mais. As condições da paixão não estão mais reunidas, tanto do ponto de vista social quanto psicológico.
Por Regina Navarro Lins
poema feminino é pra rir
*Que mulher nunca teve**
*Um sutiã meio furado, *
*Um primo meio tarado,*
*Ou um amigo meio viado?**
*Que mulher nunca tomou**
*Um fora de querer sumir, *
*Um porre de cair*
*Ou um lexotan para dormir?****
*Que mulher nunca sonhou**
*Com a sogra morta, estendida, *
*Em ser muito feliz na vida*
*Ou com uma lipo na barriga?**
*Que mulher nunca pensou**
*Em dar fim numa panela, *
*De chorar olhando pela janela*
*Por achar que a culpa era toda dela?**
*Que mulher nunca penou**
*Para ter a perna depilada, *
*Para aturar uma empregada *
*Ou para trabalhar menstruada?*
*Que mulher nunca comeu*
*Uma caixa de Bis, por ansiedade, Uma alface, no almoço, por vaidade *
*Ou, um canalha por saudade?**
*Que mulher nunca apertou**
*O pé no sapato para caber, *
*A barriga para emagrecer*
*Ou um ursinho para não enlouquecer?**
*Que mulher nunca jurou **
*Que não estava ao telefone, *
*Que não pensa em silicone*
*Que 'dele' não lembra nem o nome?**
*Só as mulheres para entenderem o significado deste poema! **
*Estamos em uma época em que: *
*'Homem dando sopa, **
*é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres.' **
*'Pior do que nunca achar o homem certo **
*é viver pra sempre com o homem errado.'**
*'Mais vale um cara feio com você *do que dois lindos se beijando.'*
*'Se todo homem é igual, porque a gente escolhe tanto???' *
*'Príncipe encantado que nada... Bom mesmo é o lobo-mau!! *
*Que te ouve melhor... *
*Que te vê melhor...*
*E ainda te come!!!*
*Um sutiã meio furado, *
*Um primo meio tarado,*
*Ou um amigo meio viado?**
*Que mulher nunca tomou**
*Um fora de querer sumir, *
*Um porre de cair*
*Ou um lexotan para dormir?****
*Que mulher nunca sonhou**
*Com a sogra morta, estendida, *
*Em ser muito feliz na vida*
*Ou com uma lipo na barriga?**
*Que mulher nunca pensou**
*Em dar fim numa panela, *
*De chorar olhando pela janela*
*Por achar que a culpa era toda dela?**
*Que mulher nunca penou**
*Para ter a perna depilada, *
*Para aturar uma empregada *
*Ou para trabalhar menstruada?*
*Que mulher nunca comeu*
*Uma caixa de Bis, por ansiedade, Uma alface, no almoço, por vaidade *
*Ou, um canalha por saudade?**
*Que mulher nunca apertou**
*O pé no sapato para caber, *
*A barriga para emagrecer*
*Ou um ursinho para não enlouquecer?**
*Que mulher nunca jurou **
*Que não estava ao telefone, *
*Que não pensa em silicone*
*Que 'dele' não lembra nem o nome?**
*Só as mulheres para entenderem o significado deste poema! **
*Estamos em uma época em que: *
*'Homem dando sopa, **
*é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres.' **
*'Pior do que nunca achar o homem certo **
*é viver pra sempre com o homem errado.'**
*'Mais vale um cara feio com você *do que dois lindos se beijando.'*
*'Se todo homem é igual, porque a gente escolhe tanto???' *
*'Príncipe encantado que nada... Bom mesmo é o lobo-mau!! *
*Que te ouve melhor... *
*Que te vê melhor...*
*E ainda te come!!!*
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Contrastes
A vida é feita de contrastes,
tipo imagem no espelho
onde vemos tudo ao contrário:
quem mais amamos não nos ama,
e quem nem imaginamos suspira por nós.
Sonhamos com um curso e fazemos outro,
queremos uma viagem e ela nunca acontece,
criamos quadros de felicidade,
que desmoronam sozinhos com a dura realidade,
e nos perguntamos sempre: por quê?
Nem sempre encontramos o mar que desejamos,
se queremos navegar, queremos o mar sereno,
se queremos surfar, rezamos pelas ondas altas,
e se vamos pescar, preferimos calmaria,
como agradar tanta gente e tantos sonhos?
Através dos contrastes, a vida vai ensinando,
que até o ódio é uma forma contrária de amar,
que a nossa tristeza é sempre passageira,
que à alegria sim, é a nossa companheira,
e que se um sonho é destruído,
outro deve ser colocado em seu lugar
Por tantos contrastes, podemos dizer:
"aprendemos com a dor a valorizar ainda mais,
as conquistas que a vida proporciona,
com fé, esperança e amor."
tipo imagem no espelho
onde vemos tudo ao contrário:
quem mais amamos não nos ama,
e quem nem imaginamos suspira por nós.
Sonhamos com um curso e fazemos outro,
queremos uma viagem e ela nunca acontece,
criamos quadros de felicidade,
que desmoronam sozinhos com a dura realidade,
e nos perguntamos sempre: por quê?
Nem sempre encontramos o mar que desejamos,
se queremos navegar, queremos o mar sereno,
se queremos surfar, rezamos pelas ondas altas,
e se vamos pescar, preferimos calmaria,
como agradar tanta gente e tantos sonhos?
Através dos contrastes, a vida vai ensinando,
que até o ódio é uma forma contrária de amar,
que a nossa tristeza é sempre passageira,
que à alegria sim, é a nossa companheira,
e que se um sonho é destruído,
outro deve ser colocado em seu lugar
Por tantos contrastes, podemos dizer:
"aprendemos com a dor a valorizar ainda mais,
as conquistas que a vida proporciona,
com fé, esperança e amor."
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Entrevista com José Ângelo Gaiarsa
O sofrimento humano tem três causas: a força superior da natureza, a fragilidade dos nossos corpos e a inadequação das normas que regulam nossas relações na família e na sociedade. Freud fez esta afirmação em um texto de 1930, mas ela continua fazendo sentido, apesar de todas as mudanças das mentalidades a que assistimos neste século. Em relação à natureza e ao nosso corpo pouco podemos fazer, mas no que diz respeito aos valores que, sem nenhum questionamento, transmitimos às novas gerações somos os únicos responsáveis pelos danos causados. Pouca gente discorda que a insatisfação é generalizada e que as pessoas poderiam ter uma vida mais prazerosa, com menos sofrimento. Entretanto, abandonar os padrões já conhecidos e experimentar novas formas de viver gera medo e insegurança. O desconhecido assusta fazendo com que apesar de toda a insatisfação, a maioria se agarre aos antigos modelos. E é por isso que José Ângelo Gaiarsa ,77 anos, médico psiquiatra, é chamado de louco pelos conservadores. Há 52 anos ele luta para que as pessoas possam viver melhor e com mais alegria. Tendo sido o primeiro aluno da turma durante todo o curso de medicina, é autor de 27 livros sobre relacionamentos humanos e de dezenas de trabalhos científicos publicados em revistas especializadas; participa há 25 anos de vários programas de TV, sendo que há cerca de sete tem um programa próprio na TV Bandeirantes. Foi introdutor de W. Reich no Brasil e também iniciador das técnicas corporais em psicoterapia, tendo coordenado centenas de cursos sobre essas técnicas. Casou cinco vezes. Teve quatro filhos do primeiro casamento - que durou 25 anos.
- Algumas pessoas te chamam de louco pelas coisas que você diz e escreve sobre a família. O que você pensa, afinal, a respeito dessa instituição considerada intocável?
- De todos os títulos que tenho, o que mais valorizo é esse: mais de meio século como psicoterapeuta ativo, com mais de 70 mil horas de escuta e observação atenta de milhares de pessoas. Dois terços dessas horas eram falas - melhor, queixas - contra a família, brigas entre pais e filhos, mães e filhos, marido e mulher, parentes e parentes... Sempre em tudo, a família como centro e a origem de sofrimentos sem conta, de mal-entendidos sem fim e sempre tida como perfeita.
- Mas por que existe tanta reação às suas idéias?
- As pessoas dizem que se a família desaparecer, desaparecerá a sociedade. Mas esquecem todos: desaparecerá, sim, a sociedade que conhecemos, eivada de guerras, miséria, desumanidades, injustiças... Será tanta perda assim? Ou será uma renovação radical e salvadora desde que a velha civilização - baseada na família e no autoritarismo - está beirando perigosamente a destruição da espécie , e quiçá levando de lambuja o planeta todo conosco? A esse fim chegamos, essencialmente formados e educados em família e pela família. Não é para começar a desconfiar de que alguma coisa está errada com a bendita?
- Em todos os seus livros você dá ênfase à atuação das mães e à responsabilidade delas na neurose coletiva da nossa sociedade. Recentemente você criou o partido das mães. Do que se trata?
- Durante muito tempo eu concordei com todos os psicólogos, dizendo que o problema da criança era a mãe, até que percebi que não são as mães individuais que estão erradas. É o modelo de mãe que está errado. Todas as doutrinas psicoterápicas afirmam que a neurose começa antes dos cinco anos, no lar, quase sempre por influência materna.
- Bom, e qual é a influência das mães ?
- Elas são o DNA da transmissão social. A função delas é pôr na cabeça das crianças todo o lixo da civilização, que nós criticamos de todos os lados, mas continuamos transmitindo. Então se não houver uma nova mãe não haverá um novo homem. Daí foi só dar um pulinho a mais e dizer: "As mães são o maior partido conservador do mundo!!!"
- Como é possível mudar isso?
- Onde é que se aprende a ser pai e mãe? Até para ser engraxate se faz curso, agora, para ser pai e mãe, não... Eu gostaria de acentuar a questão dos cinco primeiros anos, que eu reuni uns poucos dados de fisiologia muito interessantes. Aos três anos você já desenvolveu 90% do seu cérebro em peso. A circulação cerebral da criança é de três a quatro vezes mais intensa que a do adulto. No adulto o cérebro pesa 2% do corpo, na criança o cérebro pesa 20%, a criança é só cérebro, vamos dizer assim. Outro dado, todo bicho pequeno tem que aprender depressa senão ele é comido. Essa tese é biológica, 3/4 das presas do mundo são filhotes ou ovos, então, se o filhote não acorda depressa ele é comido.
- Por isso é que a gente se surpreende sempre com a rapidez que as crianças aprendem...
- A natureza deu para os filhotes uma fantástica capacidade de aprender muito e depressa. Uma criança aprende num dia o que um jovem aprende num semestre e um velho aprende em um ano. A mãe DNA da tradição social, com todos os venenos da nossa sociedade, passa tudo para a criança. E outra coisa: em família está autorizada a agressão, em família você trata as pessoas de um jeito que você não trata mais ninguém, ...mas em família pode...
- Existem mães que espancam a criança acreditando ter esse direito...
- Também o marido agride a mulher. Três milhões e quatrocentos mil casais americanos têm espancamento em família, eu ouvi por acaso este número e guardei, 3.400.000 !!!
- O que você acha do casamento?
- O casamento foi feito para impedir o desenvolvimento das pessoas. Criança desenvolve, adolescente desenvolve, e depois você fica maduro e aí não muda mais... Pais e mães não podem se desenvolver muito, sair de casa, procurar cursos, não podem. Em todas as civilizações conhecidas o adulto é tido como o ideal da educação, a criança tem que se tornar igual ao adulto, e aí ela está educada... Isso é um horror!!! Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade, mas para garantir o patrimônio e a continuidade do patriarcalismo, porque criança não tem direito nenhum.
- Mas o casamento vai continuar existindo?
- A menos que ele se renove a cada novo amante. Esta é uma das alternativas que eu acho simpática.
- Qual seria um jeito do casamento ser uma coisa prazerosa para as duas pessoas ?
- Eu só achei duas soluções até hoje. Uma, na minha vida. Casei cinco vezes e diria que um casamento que dura de quatro a sete anos pode ser interessante, dependendo da pessoa, circunstâncias e tudo mais. A segunda: hoje o que eu consideraria ideal, eu diria que é poder ter duas, três, quatro mulheres, amigas, eventualmente coloridas, e elas também terem dois, três, quatro homens. Eu acho que era a solução. Mesmo os bons amigos você não tem vontade de ver sempre. Há certos dias em que você diz: "Ih! Se ele vier aqui hoje vai ser um saco". E quando se está casado é a mesma coisa.
- Em que medida o sistema patriarcal prejudicou homens e mulheres?
- A espécie humana é a única na qual os homens usurparam o poder. Em todas as espécies animais, é claro que a fêmea é o centro, não tem o que discutir. Acho que se o homem se pusesse a serviço da mulher e da criança, isto é que seria o certo, mas ele quer ser o bacana. Muito da nossa desgraça vem daí...
- De que forma?
- A doçura, a maciez, a ternura, sabe... O homem quando se machucava não podia choramingar, e à mulher que estava com as crianças e com os velhos na colheita era facilitado o intercâmbio afetivo e sensual com a criança. Depois ela começou a usar isso pra envolver o homem numa boa, mas desde lá o que se valoriza nele é a dureza, a impassibilidade e a crueldade.
- Vamos falar da repressão sexual que estamos vivendo hoje?
- Bom, a pedra de toque nesse assunto é: "a mãe não tem xoxota". Veja bem, fala-se em liberação sexual, mas mãe não tem xoxota... Você sabe, o casamento é a forma sexual mais precária que existe.
- Explique mais isso de "mãe não tem xoxota" ?
- Eu quero dizer que o garoto não sabe para que serve o pinto, simplesmente, e ele vive eternamente envergonhado de ter um pinto porque não pode brincar com o pinto diante da mamãe... Ter pinto é uma vergonha, é um pecado original. E em segundo lugar, ainda hoje a imensa maioria das mães se perturba se a criança mexe com o pintinho ou vem com uma pergunta. Umas mães mais, outras menos... Isso vira quase um autismo: sexo é para mim e comigo.
- Como essa repressão afeta os jovens?
- São dezenas, centenas de experiências maiores ou menores, algumas muito dramáticas. E a criança vai absorvendo isso. Aí acontece o drama: a maioria dos adolescentes se inicia no sexo meio na esquina, meio escondidinho, meio apertadinho, e nunca mais sai desse apertadinho até o fim da vida.
- Você considera estereotipado o sexo que se pratica hoje?
- Extremamente estereotipado. Qual é o resultado disso? 70% dos americanos ejaculam dois minutos ou menos depois da penetração. E segundo os especialistas, nós os ocidentais, temos todos ejaculação precoce. O Tantra, que é primoroso a esse respeito, mostra o que o ocidental perde de prazer! E sempre servindo ao patriarcalismo, porque o nosso prazer é tão precário que você não vai brigar demais por ele. Você perde a noção do que é prazer e felicidade. Se você tem prazer e conhece a felicidade você tem tesão geral. Se você vai matando este tesão primário da vida, você se torna parte de um rebanho, vai brigar para quê ?
- As pessoas poderiam viver um sexo muito melhor?
- Claro. Tudo indica que o que se vive é um sexo de baixíssima qualidade em relação ao sexo altamente cultivado e desenvolvido, refletido, meditado, e até consagrado pelas civilizações do matriarcado. De certa forma o Tantra tem altos níveis de espiritualidade no sexo.
- Em um dos seus livros você fala que os orgasmos são qualitativamente diferentes, que não existem dois orgasmos iguais. O que marca a diferença?
- O orgasmo é tanto melhor quanto mais amplo for o contexto pessoal e tátil. A carícia é uma coisa basicamente esquecida pelas pessoas. O que existe de carícia no mundo é muito pouco e estereotipado e, no entanto, nosso corpo é o maior playground do universo. Nossa pele tem mais de 600 mil pontos sensíveis, nós somos uma criação contínua do movimento, somos movidos por trezentos mil neurônios motores medulares. Somos criação contínua neurológicamente e se você combinar nossa capacidade de movimento com a nossa sensibilidade de pele, você pode ficar a eternidade acariciando alguém sem repetir nunca a mesma sensação.
- O que você acha da masturbação?
- Eu acho que a masturbação é o modo de satisfação sexual mais freqüente de todos. Juntando a sensibilidade dos genitais com a habilidade infinita das mãos, você tem um tantra masturbatório, você pode ficar se agradando horas sem repetir as sensações.
- Por que tem gente que tem mais prazer na masturbação?
- Por que a pessoa tem o controle do prazer e sabe onde vai, onde vem, como acontece, como pára, como avança. Com o outro precisaria de uma intimidade de altíssimo nível pra você chegar a alguma coisa parecida. Embora eu não confronte as duas coisas, não há o que comparar entre um momento masturbatório e um momento de relação sexual, são dois universos pra mim.
- Você acha que a energia orgástica vai fluir pelo corpo, mesmo se o orgasmo vier através da masturbação ?
- Vai, mas eu quero introduzir o corpo inteiro na masturbação, não só mão e genitais. Tanto numa relação masturbatória quanto na relação com o outro, é essencial a variação do gesto, porque é a variação do gesto que cria a variação do afeto. Sem o gesto adequado você não passa o sentimento adequado. Acho muito profunda essa tese, que é uma alta elaboração de Reich.
- Os movimentos tem que acompanhar as sensações...
- E abrem canais para a comunicação emocional que também não tem limite. Eu posso ter sensações e emoções a minha vida inteira criativamente, nunca repetindo. Iluminação amorosa, eu acho que seria isso, felicidade amorosa.
- O prazer parece ameaçar o trabalho. A repressão sexual não estaria a serviço de um sistema econômico?
- Você sabe a história do sexo e do prazer? Implantaram num ratinho uma agulha no centro do prazer, e puseram ele numa jaula, onde apertando um botão ele se excitava. Ele não saiu mais do botão, se excitou duas mil vezes em uma hora. Podiam deixá-lo com fome e colocá-lo numa jaula com comida e o botão, que ele ia direto no botão. É um dos achados que o Arthur Clark disse que era mais importante que a bomba atômica, a descoberta dos centros de prazer. Hoje em dia é uma coisa aceita, já foi comprovada, todos os animais superiores têm, nós temos.
- Então deveríamos dedicar muito mais tempo para o prazer...
- Nós só chegaremos aí no dia em que confiarmos todos os trabalhos automáticos e mecânicos para as máquinas. Alcançaríamos o paraíso na Terra (risos). Todas as atividades repetitivas a máquina faz melhor do que nós, todo o tédio passaria para as máquinas. Eu acho que o prazer máximo é criação contínua, pode ser erótico, pode ser amistoso, pode ser intelectual, pode ser alimentar.
- Por que a maioria dos homens ainda tenta corresponder ao ideal masculino de força, sucesso, poder, que é inatingível e causa sofrimento?
- É a mesma história do casamento, se o homem pensasse bem nas desvantagens do machismo ele desistia de ser macho.
- Você concorda que o homem tem que romper com a mãe muito cedo para não ser chamado de maricas ou filhinho da mamãe?
- Na verdade, em todas as sociedades patriarcais existe o momento da ruptura da ligação com a mãe, que é o ritual de iniciação. "Agora, esqueça da mamãe, venha para o bando dos homens". " Homem precisa de coragem, de crueldade, esquece a mulher-mãe". Mas olha, eu queria sublinhar que é muito mais necessidade de contato do que de sexo, porque enquanto você é pequenino a mamãe quase sempre brinca um pouco com o neném. Segundo Freud o período de latência é dos 5 aos 10 anos e é aí que você começa a afastar a criança: "Cuidado, não mexe muito na menina, ela já tem 5 anos", "Olha o menino....", e eles começam a ficar sem graça, perdem o jeito.
- O que você acha da teoria psicanalítica do Complexo de Édipo, em que o menino, entre os três e os cinco anos, deseja sexualmente a mãe?
- Eu acho que o desejo não é transar com a mãe, é estar no colo da mamãe, acolhido em coisa viva, quente, morna, gostosa. Mas isso não pode, ai dele se romper a aliança com o bando masculino. Mal pode fraquejar, mal pode amar a mulher, pode transar mas não pode amar, é bem assim, nada de envolvimento. Sabe por quê? Nada dissolve mais a couraça do que carícias bem feitas.
- Algumas pessoas te chamam de louco pelas coisas que você diz e escreve sobre a família. O que você pensa, afinal, a respeito dessa instituição considerada intocável?
- De todos os títulos que tenho, o que mais valorizo é esse: mais de meio século como psicoterapeuta ativo, com mais de 70 mil horas de escuta e observação atenta de milhares de pessoas. Dois terços dessas horas eram falas - melhor, queixas - contra a família, brigas entre pais e filhos, mães e filhos, marido e mulher, parentes e parentes... Sempre em tudo, a família como centro e a origem de sofrimentos sem conta, de mal-entendidos sem fim e sempre tida como perfeita.
- Mas por que existe tanta reação às suas idéias?
- As pessoas dizem que se a família desaparecer, desaparecerá a sociedade. Mas esquecem todos: desaparecerá, sim, a sociedade que conhecemos, eivada de guerras, miséria, desumanidades, injustiças... Será tanta perda assim? Ou será uma renovação radical e salvadora desde que a velha civilização - baseada na família e no autoritarismo - está beirando perigosamente a destruição da espécie , e quiçá levando de lambuja o planeta todo conosco? A esse fim chegamos, essencialmente formados e educados em família e pela família. Não é para começar a desconfiar de que alguma coisa está errada com a bendita?
- Em todos os seus livros você dá ênfase à atuação das mães e à responsabilidade delas na neurose coletiva da nossa sociedade. Recentemente você criou o partido das mães. Do que se trata?
- Durante muito tempo eu concordei com todos os psicólogos, dizendo que o problema da criança era a mãe, até que percebi que não são as mães individuais que estão erradas. É o modelo de mãe que está errado. Todas as doutrinas psicoterápicas afirmam que a neurose começa antes dos cinco anos, no lar, quase sempre por influência materna.
- Bom, e qual é a influência das mães ?
- Elas são o DNA da transmissão social. A função delas é pôr na cabeça das crianças todo o lixo da civilização, que nós criticamos de todos os lados, mas continuamos transmitindo. Então se não houver uma nova mãe não haverá um novo homem. Daí foi só dar um pulinho a mais e dizer: "As mães são o maior partido conservador do mundo!!!"
- Como é possível mudar isso?
- Onde é que se aprende a ser pai e mãe? Até para ser engraxate se faz curso, agora, para ser pai e mãe, não... Eu gostaria de acentuar a questão dos cinco primeiros anos, que eu reuni uns poucos dados de fisiologia muito interessantes. Aos três anos você já desenvolveu 90% do seu cérebro em peso. A circulação cerebral da criança é de três a quatro vezes mais intensa que a do adulto. No adulto o cérebro pesa 2% do corpo, na criança o cérebro pesa 20%, a criança é só cérebro, vamos dizer assim. Outro dado, todo bicho pequeno tem que aprender depressa senão ele é comido. Essa tese é biológica, 3/4 das presas do mundo são filhotes ou ovos, então, se o filhote não acorda depressa ele é comido.
- Por isso é que a gente se surpreende sempre com a rapidez que as crianças aprendem...
- A natureza deu para os filhotes uma fantástica capacidade de aprender muito e depressa. Uma criança aprende num dia o que um jovem aprende num semestre e um velho aprende em um ano. A mãe DNA da tradição social, com todos os venenos da nossa sociedade, passa tudo para a criança. E outra coisa: em família está autorizada a agressão, em família você trata as pessoas de um jeito que você não trata mais ninguém, ...mas em família pode...
- Existem mães que espancam a criança acreditando ter esse direito...
- Também o marido agride a mulher. Três milhões e quatrocentos mil casais americanos têm espancamento em família, eu ouvi por acaso este número e guardei, 3.400.000 !!!
- O que você acha do casamento?
- O casamento foi feito para impedir o desenvolvimento das pessoas. Criança desenvolve, adolescente desenvolve, e depois você fica maduro e aí não muda mais... Pais e mães não podem se desenvolver muito, sair de casa, procurar cursos, não podem. Em todas as civilizações conhecidas o adulto é tido como o ideal da educação, a criança tem que se tornar igual ao adulto, e aí ela está educada... Isso é um horror!!! Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade, mas para garantir o patrimônio e a continuidade do patriarcalismo, porque criança não tem direito nenhum.
- Mas o casamento vai continuar existindo?
- A menos que ele se renove a cada novo amante. Esta é uma das alternativas que eu acho simpática.
- Qual seria um jeito do casamento ser uma coisa prazerosa para as duas pessoas ?
- Eu só achei duas soluções até hoje. Uma, na minha vida. Casei cinco vezes e diria que um casamento que dura de quatro a sete anos pode ser interessante, dependendo da pessoa, circunstâncias e tudo mais. A segunda: hoje o que eu consideraria ideal, eu diria que é poder ter duas, três, quatro mulheres, amigas, eventualmente coloridas, e elas também terem dois, três, quatro homens. Eu acho que era a solução. Mesmo os bons amigos você não tem vontade de ver sempre. Há certos dias em que você diz: "Ih! Se ele vier aqui hoje vai ser um saco". E quando se está casado é a mesma coisa.
- Em que medida o sistema patriarcal prejudicou homens e mulheres?
- A espécie humana é a única na qual os homens usurparam o poder. Em todas as espécies animais, é claro que a fêmea é o centro, não tem o que discutir. Acho que se o homem se pusesse a serviço da mulher e da criança, isto é que seria o certo, mas ele quer ser o bacana. Muito da nossa desgraça vem daí...
- De que forma?
- A doçura, a maciez, a ternura, sabe... O homem quando se machucava não podia choramingar, e à mulher que estava com as crianças e com os velhos na colheita era facilitado o intercâmbio afetivo e sensual com a criança. Depois ela começou a usar isso pra envolver o homem numa boa, mas desde lá o que se valoriza nele é a dureza, a impassibilidade e a crueldade.
- Vamos falar da repressão sexual que estamos vivendo hoje?
- Bom, a pedra de toque nesse assunto é: "a mãe não tem xoxota". Veja bem, fala-se em liberação sexual, mas mãe não tem xoxota... Você sabe, o casamento é a forma sexual mais precária que existe.
- Explique mais isso de "mãe não tem xoxota" ?
- Eu quero dizer que o garoto não sabe para que serve o pinto, simplesmente, e ele vive eternamente envergonhado de ter um pinto porque não pode brincar com o pinto diante da mamãe... Ter pinto é uma vergonha, é um pecado original. E em segundo lugar, ainda hoje a imensa maioria das mães se perturba se a criança mexe com o pintinho ou vem com uma pergunta. Umas mães mais, outras menos... Isso vira quase um autismo: sexo é para mim e comigo.
- Como essa repressão afeta os jovens?
- São dezenas, centenas de experiências maiores ou menores, algumas muito dramáticas. E a criança vai absorvendo isso. Aí acontece o drama: a maioria dos adolescentes se inicia no sexo meio na esquina, meio escondidinho, meio apertadinho, e nunca mais sai desse apertadinho até o fim da vida.
- Você considera estereotipado o sexo que se pratica hoje?
- Extremamente estereotipado. Qual é o resultado disso? 70% dos americanos ejaculam dois minutos ou menos depois da penetração. E segundo os especialistas, nós os ocidentais, temos todos ejaculação precoce. O Tantra, que é primoroso a esse respeito, mostra o que o ocidental perde de prazer! E sempre servindo ao patriarcalismo, porque o nosso prazer é tão precário que você não vai brigar demais por ele. Você perde a noção do que é prazer e felicidade. Se você tem prazer e conhece a felicidade você tem tesão geral. Se você vai matando este tesão primário da vida, você se torna parte de um rebanho, vai brigar para quê ?
- As pessoas poderiam viver um sexo muito melhor?
- Claro. Tudo indica que o que se vive é um sexo de baixíssima qualidade em relação ao sexo altamente cultivado e desenvolvido, refletido, meditado, e até consagrado pelas civilizações do matriarcado. De certa forma o Tantra tem altos níveis de espiritualidade no sexo.
- Em um dos seus livros você fala que os orgasmos são qualitativamente diferentes, que não existem dois orgasmos iguais. O que marca a diferença?
- O orgasmo é tanto melhor quanto mais amplo for o contexto pessoal e tátil. A carícia é uma coisa basicamente esquecida pelas pessoas. O que existe de carícia no mundo é muito pouco e estereotipado e, no entanto, nosso corpo é o maior playground do universo. Nossa pele tem mais de 600 mil pontos sensíveis, nós somos uma criação contínua do movimento, somos movidos por trezentos mil neurônios motores medulares. Somos criação contínua neurológicamente e se você combinar nossa capacidade de movimento com a nossa sensibilidade de pele, você pode ficar a eternidade acariciando alguém sem repetir nunca a mesma sensação.
- O que você acha da masturbação?
- Eu acho que a masturbação é o modo de satisfação sexual mais freqüente de todos. Juntando a sensibilidade dos genitais com a habilidade infinita das mãos, você tem um tantra masturbatório, você pode ficar se agradando horas sem repetir as sensações.
- Por que tem gente que tem mais prazer na masturbação?
- Por que a pessoa tem o controle do prazer e sabe onde vai, onde vem, como acontece, como pára, como avança. Com o outro precisaria de uma intimidade de altíssimo nível pra você chegar a alguma coisa parecida. Embora eu não confronte as duas coisas, não há o que comparar entre um momento masturbatório e um momento de relação sexual, são dois universos pra mim.
- Você acha que a energia orgástica vai fluir pelo corpo, mesmo se o orgasmo vier através da masturbação ?
- Vai, mas eu quero introduzir o corpo inteiro na masturbação, não só mão e genitais. Tanto numa relação masturbatória quanto na relação com o outro, é essencial a variação do gesto, porque é a variação do gesto que cria a variação do afeto. Sem o gesto adequado você não passa o sentimento adequado. Acho muito profunda essa tese, que é uma alta elaboração de Reich.
- Os movimentos tem que acompanhar as sensações...
- E abrem canais para a comunicação emocional que também não tem limite. Eu posso ter sensações e emoções a minha vida inteira criativamente, nunca repetindo. Iluminação amorosa, eu acho que seria isso, felicidade amorosa.
- O prazer parece ameaçar o trabalho. A repressão sexual não estaria a serviço de um sistema econômico?
- Você sabe a história do sexo e do prazer? Implantaram num ratinho uma agulha no centro do prazer, e puseram ele numa jaula, onde apertando um botão ele se excitava. Ele não saiu mais do botão, se excitou duas mil vezes em uma hora. Podiam deixá-lo com fome e colocá-lo numa jaula com comida e o botão, que ele ia direto no botão. É um dos achados que o Arthur Clark disse que era mais importante que a bomba atômica, a descoberta dos centros de prazer. Hoje em dia é uma coisa aceita, já foi comprovada, todos os animais superiores têm, nós temos.
- Então deveríamos dedicar muito mais tempo para o prazer...
- Nós só chegaremos aí no dia em que confiarmos todos os trabalhos automáticos e mecânicos para as máquinas. Alcançaríamos o paraíso na Terra (risos). Todas as atividades repetitivas a máquina faz melhor do que nós, todo o tédio passaria para as máquinas. Eu acho que o prazer máximo é criação contínua, pode ser erótico, pode ser amistoso, pode ser intelectual, pode ser alimentar.
- Por que a maioria dos homens ainda tenta corresponder ao ideal masculino de força, sucesso, poder, que é inatingível e causa sofrimento?
- É a mesma história do casamento, se o homem pensasse bem nas desvantagens do machismo ele desistia de ser macho.
- Você concorda que o homem tem que romper com a mãe muito cedo para não ser chamado de maricas ou filhinho da mamãe?
- Na verdade, em todas as sociedades patriarcais existe o momento da ruptura da ligação com a mãe, que é o ritual de iniciação. "Agora, esqueça da mamãe, venha para o bando dos homens". " Homem precisa de coragem, de crueldade, esquece a mulher-mãe". Mas olha, eu queria sublinhar que é muito mais necessidade de contato do que de sexo, porque enquanto você é pequenino a mamãe quase sempre brinca um pouco com o neném. Segundo Freud o período de latência é dos 5 aos 10 anos e é aí que você começa a afastar a criança: "Cuidado, não mexe muito na menina, ela já tem 5 anos", "Olha o menino....", e eles começam a ficar sem graça, perdem o jeito.
- O que você acha da teoria psicanalítica do Complexo de Édipo, em que o menino, entre os três e os cinco anos, deseja sexualmente a mãe?
- Eu acho que o desejo não é transar com a mãe, é estar no colo da mamãe, acolhido em coisa viva, quente, morna, gostosa. Mas isso não pode, ai dele se romper a aliança com o bando masculino. Mal pode fraquejar, mal pode amar a mulher, pode transar mas não pode amar, é bem assim, nada de envolvimento. Sabe por quê? Nada dissolve mais a couraça do que carícias bem feitas.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Inveja no amor
Os opostos se atraem. Essa lei da física também pode ser aplicada ao relacionamento humano? É possível, as pessoas se encantam por outras que possuem características de personalidade que elas não têm e gostariam de ter. A minha dúvida é se numa relação entre pessoas tão diferentes há espaço para trocas verdadeiramente satisfatórias, ou seja, se é viável uma vida a dois estimulante. Quando um homem muito tímido e inseguro se casa com uma mulher extrovertida, falante, cheia de amigos, o que pode acontecer à vida deles? À primeira vista só coisas boas, claro. Ela possui o que falta a ele e, portanto, pode ajudá-lo a ser mais comunicativo, se soltar mais, conhecer mais pessoas.
Pense bem, um complementa o outro. Esse encaixe parece ser a solução perfeita. Além do tímido e da extrovertida, conhecemos também o decidido e a indecisa, o animado e a deprimida, o alienado e a sabe-tudo, a corajosa e o medroso, entre outros. Sem contar que existem várias outras diferenças sutis, difíceis de ser percebidas. Mas na maioria dos casos essa situação é bem mais complicada do que parece, e surgem problemas. O primeiro deles é a acomodação. Ela impede o crescimento pessoal; o indeciso acaba deixando o outro resolver todas as questões que necessitem de decisão, não se empenhando para modificar o que não gosta em si próprio.
Entretanto, há no amor entre duas pessoas muito diferentes um inconveniente mais sério e bastante comum: a inveja. Há quem diga até que a inveja nasce imediata e espontaneamente da admiração. Será que quando admiramos e nos encantamos tanto por alguém oposto a nós, estamos realmente satisfeitos com o que somos? O invejoso admira o invejado, desejaria estar em seu lugar, ser como ele é e não consegue. O pior é quando o invejoso, não suportando a sua própria inveja, passa a depreciar no outro, justamente os aspectos que gostaria de possuir. Ou então, o que também ocorre com freqüência, sutilmente sabota as realizações do parceiro, numa tentativa desesperada de diminuir seu sentimento de inferioridade.
Na fase do encantamento apaixonado a inveja não se manifesta, por mais diferentes que sejam as pessoas. O que elas vivenciam é a ilusão da fusão romântica, em que os dois se transformam num só. Nesse momento não se deseja nada do outro além do seu amor. Contudo, todos sabemos que esse período inicial de paixão não resiste à convivência cotidiana. Portanto, quando a inveja surge é um sinal de que o encantamento chegou ao fim.
Por Regina Navarro Lins
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Pense bem, um complementa o outro. Esse encaixe parece ser a solução perfeita. Além do tímido e da extrovertida, conhecemos também o decidido e a indecisa, o animado e a deprimida, o alienado e a sabe-tudo, a corajosa e o medroso, entre outros. Sem contar que existem várias outras diferenças sutis, difíceis de ser percebidas. Mas na maioria dos casos essa situação é bem mais complicada do que parece, e surgem problemas. O primeiro deles é a acomodação. Ela impede o crescimento pessoal; o indeciso acaba deixando o outro resolver todas as questões que necessitem de decisão, não se empenhando para modificar o que não gosta em si próprio.
Entretanto, há no amor entre duas pessoas muito diferentes um inconveniente mais sério e bastante comum: a inveja. Há quem diga até que a inveja nasce imediata e espontaneamente da admiração. Será que quando admiramos e nos encantamos tanto por alguém oposto a nós, estamos realmente satisfeitos com o que somos? O invejoso admira o invejado, desejaria estar em seu lugar, ser como ele é e não consegue. O pior é quando o invejoso, não suportando a sua própria inveja, passa a depreciar no outro, justamente os aspectos que gostaria de possuir. Ou então, o que também ocorre com freqüência, sutilmente sabota as realizações do parceiro, numa tentativa desesperada de diminuir seu sentimento de inferioridade.
Na fase do encantamento apaixonado a inveja não se manifesta, por mais diferentes que sejam as pessoas. O que elas vivenciam é a ilusão da fusão romântica, em que os dois se transformam num só. Nesse momento não se deseja nada do outro além do seu amor. Contudo, todos sabemos que esse período inicial de paixão não resiste à convivência cotidiana. Portanto, quando a inveja surge é um sinal de que o encantamento chegou ao fim.
Por Regina Navarro Lins
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Misturar amizade e Sexo
Acredita-se que quem mistura amizade com sexo perde o amigo e o amante. É uma idéia muito difundida, que tem como origem a associação que se faz entre amor romântico e sexo. Há quem defenda a idéia de que para haver sexo é necessário se estar vivendo um romance com tudo o que ele inclui: ciúme, possessividade, pavor que o outro se interesse por alguém, medo de ser trocado. Essa crença de que amor e sexo têm que estar sempre juntos atinge principalmente a mulher. O homem não foi educado para ter que juntar as duas coisas. Muitas mulheres defendem que é da natureza feminina só desejar sexo quando existe amor, em mais uma manifestação de apoio à limitação da sexualidade da mulher.
Na realidade, amor e sexo são impulsos totalmente independentes, e é possível se experimentar prazer sexual pleno totalmente desvinculado das aspirações românticas. Entretanto, ninguém pode esquecer que existe muito amor nas relações de amizade verdadeira. Não a mentira do amor romântico, mas aquele amor em que os amigos participam da vida uns dos outros, discutem seus problemas, suas questões existenciais, são solidários e são até mais importantes do que uma relação amorosa tradicional. Entretanto, nem sempre se tem desejo sexual por um amigo. Como em todo amor, pode haver desejo ou não. Mas se houver? Qual o problema?
A amizade corre sérios riscos se um do dois criar uma expectativa de relação com o outro diferente da amizade que sempre houve. Só porque transaram, a pessoa se acha com o direito de controlar a vida do amigo, ser ciumenta, cobrar coisas. Nenhuma relação resiste a isso, ainda mais a de amizade, que se caracteriza justamente pela ausência de obrigações. O que ocorre é que muita gente pensa que é livre, que não está mais presa aos modelos que exigem um comportamento igual para todo mundo, mas de repente se descobre insegura, desejando uma relação tradicional. Não sabendo bem como explicar seus sentimentos, sai por aí dizendo que amizade e sexo não podem se misturar.
Por Regina Navarro Lins
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Na realidade, amor e sexo são impulsos totalmente independentes, e é possível se experimentar prazer sexual pleno totalmente desvinculado das aspirações românticas. Entretanto, ninguém pode esquecer que existe muito amor nas relações de amizade verdadeira. Não a mentira do amor romântico, mas aquele amor em que os amigos participam da vida uns dos outros, discutem seus problemas, suas questões existenciais, são solidários e são até mais importantes do que uma relação amorosa tradicional. Entretanto, nem sempre se tem desejo sexual por um amigo. Como em todo amor, pode haver desejo ou não. Mas se houver? Qual o problema?
A amizade corre sérios riscos se um do dois criar uma expectativa de relação com o outro diferente da amizade que sempre houve. Só porque transaram, a pessoa se acha com o direito de controlar a vida do amigo, ser ciumenta, cobrar coisas. Nenhuma relação resiste a isso, ainda mais a de amizade, que se caracteriza justamente pela ausência de obrigações. O que ocorre é que muita gente pensa que é livre, que não está mais presa aos modelos que exigem um comportamento igual para todo mundo, mas de repente se descobre insegura, desejando uma relação tradicional. Não sabendo bem como explicar seus sentimentos, sai por aí dizendo que amizade e sexo não podem se misturar.
Por Regina Navarro Lins
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Prostituta não finge
Sendo as prostitutas as guardiãs da moral sexual da sociedade, o seu verdadeiro crime é revelar a hipocrisia dessa dupla moral. No dicionário encontramos a seguinte definição: "mulher que pratica o ato sexual por dinheiro".
Então, quantas mulheres casadas, respeitadas e valorizadas socialmente se prostituem com seus próprios maridos? Quantas moças são educadas para só se casar com homens que lhes possam dar conforto e dinheiro? Quantas mulheres solteiras só aceitam ir para um motel com um homem se antes ele pagar o jantar num restaurante caro? É impossível calcular, mas nada disso é falado.
Tudo se passa por baixo do pano para que a respeitabilidade dessas pessoas seja preservada. A prostituta é desprezada, mas a única diferença é que seu jogo é claro. Ela não se preocupa em fingir. Concordo com Simone de Beauvoir quando diz que entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato.
Texto retirado do livro A Cama na Varanda, de Regina Navarro Lins, Editora Rocco, 1977, pg 221.
Então, quantas mulheres casadas, respeitadas e valorizadas socialmente se prostituem com seus próprios maridos? Quantas moças são educadas para só se casar com homens que lhes possam dar conforto e dinheiro? Quantas mulheres solteiras só aceitam ir para um motel com um homem se antes ele pagar o jantar num restaurante caro? É impossível calcular, mas nada disso é falado.
Tudo se passa por baixo do pano para que a respeitabilidade dessas pessoas seja preservada. A prostituta é desprezada, mas a única diferença é que seu jogo é claro. Ela não se preocupa em fingir. Concordo com Simone de Beauvoir quando diz que entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato.
Texto retirado do livro A Cama na Varanda, de Regina Navarro Lins, Editora Rocco, 1977, pg 221.
Sexo no Casamento
No casamento ou em qualquer relação estável, observa-se o conflito entre a diminuição do desejo sexual e o aumento da ternura e companheirismo entre os parceiros. Não é raro encontrarmos casais que, apesar de viverem juntos, têm na ausência total do desejo sexual a tônica da relação. E por mais que se esforcem, não adianta: a atração sexual não pode ser imposta. Assim, na maioria das relações estáveis, o sexo acaba se tornando um hábito ou um dever.
A relação amorosa e sexual com a mesma pessoa por um tempo prolongado leva à falta de estímulo e interesse. Tudo fica repetitivo e sem graça. O desejo sexual está ligado a magia, encantamento, descoberta nossa e do outro. Numa relação estável isso não ocorre. Busca-se muito mais segurança que prazer. As pessoas se conformam com a falta de emoção e tentam nem pensar no assunto. Convencem-se de que não é tão importante assim. W. Reich apresenta várias pesquisas feitas na primeira metade deste século e afirma que a duração média de uma ligação de base sexual é de quatro anos, levando-o a perguntar: “Como é que a reforma sexual dos conservadores pretende pôr término a este estado de coisas?”
A conjugalidade é regida por leis e regras que limitam não só o sexo, mas a própria vida. Há inúmeras cobranças como tarefas, comportamentos, horários. Um se mete nas questões do outro com palpites, exigências e críticas. O sexo é o que temos de biológico mais ligado ao emocional e com certeza é afetado. Na rotina, o tesão sai de cena. Mesmo assim, a maioria opta por manter a relação: “É isso mesmo, tesão de verdade a gente só tem no começo”, dizem, num tom conformista.
Por Regina Navarro Lins
A relação amorosa e sexual com a mesma pessoa por um tempo prolongado leva à falta de estímulo e interesse. Tudo fica repetitivo e sem graça. O desejo sexual está ligado a magia, encantamento, descoberta nossa e do outro. Numa relação estável isso não ocorre. Busca-se muito mais segurança que prazer. As pessoas se conformam com a falta de emoção e tentam nem pensar no assunto. Convencem-se de que não é tão importante assim. W. Reich apresenta várias pesquisas feitas na primeira metade deste século e afirma que a duração média de uma ligação de base sexual é de quatro anos, levando-o a perguntar: “Como é que a reforma sexual dos conservadores pretende pôr término a este estado de coisas?”
A conjugalidade é regida por leis e regras que limitam não só o sexo, mas a própria vida. Há inúmeras cobranças como tarefas, comportamentos, horários. Um se mete nas questões do outro com palpites, exigências e críticas. O sexo é o que temos de biológico mais ligado ao emocional e com certeza é afetado. Na rotina, o tesão sai de cena. Mesmo assim, a maioria opta por manter a relação: “É isso mesmo, tesão de verdade a gente só tem no começo”, dizem, num tom conformista.
Por Regina Navarro Lins
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