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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Prostituta não finge

Sendo as prostitutas as guardiãs da moral sexual da sociedade, o seu verdadeiro crime é revelar a hipocrisia dessa dupla moral. No dicionário encontramos a seguinte definição: "mulher que pratica o ato sexual por dinheiro".

Então, quantas mulheres casadas, respeitadas e valorizadas socialmente se prostituem com seus próprios maridos? Quantas moças são educadas para só se casar com homens que lhes possam dar conforto e dinheiro? Quantas mulheres solteiras só aceitam ir para um motel com um homem se antes ele pagar o jantar num restaurante caro? É impossível calcular, mas nada disso é falado.

Tudo se passa por baixo do pano para que a respeitabilidade dessas pessoas seja preservada. A prostituta é desprezada, mas a única diferença é que seu jogo é claro. Ela não se preocupa em fingir. Concordo com Simone de Beauvoir quando diz que entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato.

Texto retirado do livro A Cama na Varanda, de Regina Navarro Lins, Editora Rocco, 1977, pg 221.

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