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quarta-feira, 3 de junho de 2009

A serenata

“Uma noite de lua pálida e gerânios/ele viria com boca e mãos incríveis/tocar flauta no jardim./Estou no começo do meu desespero/e só vejo dois caminhos:/ou viro doida ou santa./Eu que rejeito e exprobo/o que não for natural como sangue e veias/descubro que estou chorando todo dia,/os cabelos entristecidos,/apele assaltada de indecisão./Quando ele vier,porque é certo que vêm,/de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?/A lua, os gerânios e ele serão os mesmos/ - só a mulher entre as coisas envelhece./De que modo vou abrir a janela, se não for doida?/Como a fecharei, se não for santa?”
A serenata- Adélia Prado - Bagagem

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